Ministério Público do DF aponta indícios de práticas abusivas em publicidade de apostas e pede indenização milionária por danos morais coletivos
Virginia Fonseca voltou ao centro de uma bomba envolvendo dinheiro, fama e apostas online. O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios protocolou uma ação civil pública contra a influenciadora e a Blaze, pedindo indenização mínima de R$ 120 milhões.
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Virginia Fonseca é citada na ação por sua atuação em campanhas publicitárias ligadas à casa de apostas. Segundo o MPDFT, há indícios de práticas abusivas, retenção sistemática de valores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis.
O processo foi apresentado ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal na quarta-feira, 8 de julho de 2026, e tramita na 7ª Vara Cível de Brasília. Até a última atualização, ainda não havia decisão judicial sobre os pedidos.
A ação também mira a Blaze, plataforma de apostas que se tornou uma das marcas mais conhecidas do setor justamente por apostar pesado em influenciadores, celebridades e campanhas de alto alcance nas redes sociais.
Na petição, o promotor Paulo Roberto Binicheski afirma que a ex de Zé Felipe seria o “braço operacional da captação” da casa de apostas, responsável por executar a mensagem publicitária e induzir consumidores à aposta.
O trecho mais pesado do documento afirma que, ao recomendar produtos e serviços, influenciadores induzem o público a adotar comportamentos associados ao estilo de vida que promovem. Para o MP, essa credibilidade funciona como uma espécie de selo de aprovação diante dos seguidores.
A acusação mexe em um ponto sensível do mercado digital: até onde vai a responsabilidade de uma celebridade quando ela divulga apostas para milhões de pessoas que confiam em sua imagem?
Virginia Fonseca e Blaze enfrentam pedido milionário do MPDFT
O Ministério Público pediu que a Justiça determine a remoção imediata de conteúdos publicitários relacionados a apostas que prometam lucros irreais, induzam o consumidor a erro, estimulem apostas em eventos específicos ou utilizem publicidade disfarçada em conteúdos pessoais.
Na ação, o MP também pede a condenação solidária de Virginia e da Blaze ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 120 milhões.
Segundo o órgão, a quantia leva em conta a dimensão econômica da atividade explorada, a repercussão social da conduta e o potencial lesivo da publicidade considerada irregular.
O MP quer que o valor, caso seja determinado pela Justiça, seja revertido preferencialmente para programas sociais, educativos e de saúde mental voltados a consumidores e apostadores, ou ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.
O documento afirma que a ação não busca apenas reparar danos já produzidos, mas impedir a repetição de práticas publicitárias consideradas abusivas em um cenário de alta exposição social.
Um dos episódios citados envolve campanhas veiculadas durante a Copa, incluindo publicidade relacionada a apostas em partidas específicas. Para o MP, esse tipo de conteúdo teria potencial para conduzir consumidores ao erro.
O caso também tem ligação com investigações anteriores sobre a Blaze. Segundo a ação, apurações iniciadas em 2023 apontaram que a plataforma utilizava celebridades e influenciadores digitais para captar usuários com promessas de ganhos rápidos e fáceis.
Outro ponto citado pelo MP é a vulnerabilidade econômica de parte do público atingido. A ação afirma que consumidores em situação de hipervulnerabilidade podem ser atraídos pela promessa ilusória de renda extra e pela identificação afetiva com figuras públicas contratadas.
A Blaze, em nota, informou que ainda não havia sido formalmente intimada e afirmou manter compromisso com transparência, conformidade com a legislação e jogo responsável. A empresa também disse que prestará esclarecimentos às autoridades assim que for notificada.
A defesa de Virginia afirmou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e que responderá tecnicamente nos autos. Também declarou que a responsabilização civil deve se basear em provas concretas, e não em presunções ligadas ao fato de a influenciadora ser pessoa pública.
Na nota, a defesa disse refutar qualquer alegação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo a consumidores. Também afirmou confiar no Poder Judiciário e que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos.
O caso coloca Virginia Fonseca em uma das maiores polêmicas de sua carreira recente. Entre fama, fortuna, bets e um pedido de R$ 120 milhões, a influenciadora agora terá que enfrentar no Judiciário uma discussão que pode abalar todo o mercado de publicidade com apostas no Brasil.
