Salário mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026. Veja como o reajuste afeta INSS, benefícios sociais, MEI e a economia.
O salário mínimo de 2026 entrou oficialmente em vigor nesta quarta-feira, 1º de janeiro, com o novo valor fixado em R$ 1.621. O reajuste foi definido por decreto federal e representa um aumento significativo em relação ao piso anterior, que era de R$ 1.518. A mudança afeta diretamente milhões de brasileiros e movimenta diversos setores da economia.
O novo salário mínimo não impacta apenas trabalhadores com carteira assinada. A atualização serve como referência para aposentadorias, pensões, benefícios sociais, programas de transferência de renda, contribuições previdenciárias e até o valor do seguro-desemprego.
Segundo dados oficiais, cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão impacto direto ou indireto com o novo piso nacional. O reajuste começa a valer agora em janeiro, mas os pagamentos com valores corrigidos passam a ser feitos a partir de fevereiro, seguindo os calendários oficiais.
O aumento também reflete a política de valorização do salário mínimo prevista em lei, que busca recompor perdas inflacionárias e garantir ganho real sempre que houver crescimento da economia.
Como é calculado o salário mínimo de 2026
O cálculo do salário mínimo de 2026 segue as regras da Lei 14.663/2023. A fórmula considera dois fatores principais: a inflação acumulada medida pelo INPC até novembro do ano anterior e o crescimento real do Produto Interno Bruto de dois anos antes.
Neste reajuste, a inflação medida pelo INPC ficou em 4,18%. Já o crescimento real do PIB considerado foi limitado a 2,5%, conforme as regras fiscais em vigor. A soma desses índices resultou em um reajuste total de 6,79%, elevando o piso para R$ 1.621.
Essa metodologia busca equilibrar a valorização do trabalhador com a responsabilidade fiscal, evitando impactos excessivos nas contas públicas.
Impactos diretos nos benefícios sociais e no INSS
O novo valor do salário mínimo reajusta automaticamente aposentadorias e pensões do INSS que têm o piso como base. Beneficiários que recebem o valor mínimo passam a ganhar R$ 1.621 já nas próximas parcelas.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) também é atualizado para o novo valor. O critério de renda para acesso ao programa passa a considerar 25% do novo mínimo, equivalente a R$ 405,25 por pessoa da família.
Além disso, o seguro-desemprego passa a ter como valor mínimo exatamente o novo piso nacional. Nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 1.621 em 2026.
MEI, contribuições e crédito consignado
Para o Microempreendedor Individual (MEI), a contribuição mensal ao INSS sobe para R$ 81,05, correspondente a 5% do novo salário mínimo. Caminhoneiros MEI terão valores mais elevados, podendo chegar a R$ 207,42, conforme o tipo de atividade.
O reajuste também amplia a margem do crédito consignado. Com o novo piso, aposentados, pensionistas e trabalhadores passam a ter uma margem de até R$ 569,45, respeitando o limite legal de comprometimento da renda.
Outros benefícios previdenciários, como salário-família e auxílio-reclusão, terão valores atualizados após a publicação de portarias específicas pelo INSS.
Reflexos do novo salário mínimo na economia
De acordo com estimativas do Dieese, o aumento do salário mínimo de 2026 deve injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia brasileira ao longo do ano. O impacto será sentido no consumo, no comércio e na arrecadação.
Por outro lado, o reajuste também pressiona o orçamento público. Cada real acrescentado ao salário mínimo gera um aumento aproximado de R$ 380,5 milhões nas despesas obrigatórias do governo.
Ainda assim, especialistas avaliam que o novo piso contribui para a redução das desigualdades e para a manutenção do poder de compra da população mais vulnerável.
