Após ser perseguido por haters, Zé Felipe emplaca sucesso e conquista marca inédita

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Cantor Zé Felipe contabiliza milhões de execuções nas plataformas digitais com “Bandido” e consolida carreira com parcerias de sucesso no funk e piseiro

Por: Dyala Assef.

O cantor sertanejo Zé Felipe é hoje um dos artistas mais tocados do Brasil e tanta popularidade fez disparar os valores do seu cachê, especialmente após emplacar sucessos como “Malvada” e a super recente “Bandido“. Caso você ainda ache que Zé Felipe é apenas um dos muitos filhos do cantor Leonardo, sem ter feito nada de relevante além de tentar carreira artística na sombra do pai, recomendo fortemente que você pense de novo.

Se você está na casa dos 40 anos (assim como eu), ou se tem um gosto mais erudito para música, se é um saudosista da música sertaneja romântica a la anos 90, pode ser uma daquelas pessoas que olha torto para Zé Felipe, ou pode pode achar que se trata de mais um pseudo cantor sem talento ou que se escora no renome da família. Afinal, o que mais tem por aí hoje, em todos os gêneros, é cantor que não sabe cantar. Acontece que as estatísticas do rapaz são tão impressionantes que não é mais possível ignorá-lo nem negar que há uma longa lista de fatores positivos em seu trabalho.

Antes de mais nada, é preciso compreender que Zé Felipe é fruto e reflexo do tempo em que vive e foi criado. É jovem, tem apenas 24 anos, e foi forjado enquanto artista na era da internet. Estourou como cantor sob o reinado das plataformas digitais e delas sabe se aproveitar com maestria. Além disso, casou-se com Virgínia Fonseca, uma digital influencer (tem profissão mais atual do que essa?), e a parceria profissional do casal também vem rendendo bons frutos. Caso você não saiba, a moça sempre aparece dançando nos videoclipes do marido.

Somente para mencionar as estatísticas do lançamento mais recente de Zé Felipe, a super grudenta e já viral “Bandido“, em duas semanas, ultrapassou a marca de 7 milhões de plays somente no Spotify. No YouTube, o videoclipe da faixa, em que o cantor aparece meio travado (sabe-se agora que em função de uma doença incurável que vem limitando seus movimentos), já contabiliza quase 30 milhões de visualizações.

Se esses números não são capazes de te impressionar, te conto que, no Tik Tok, a plataforma digital das dancinhas, “Bandido” passou de 95 milhões de execuções e já se aproxima do Top 20 daquela rede entre as músicas mais usadas no mundo para a produção dos tais vídeos rebolativos que a moçada ama fazer e consumir. Já no Instagram, em breve Zé Felipe deve bater os 25 milhões de seguidores, mais do que duplas sertanejas queridinhas, como Henrique e Juliano e Jorge e Mateus, ambas com menos de 20 milhões.

Não vou tentar te convencer de que Zé Felipe tem uma voz excepcional ou que é um cantor capaz de executar malabarismos vocais, como um dia foi seu pai, por exemplo. Se olharmos a carreira e obra do rapaz sob esse viés, porém, estaremos perdendo de vista suas qualidades e sua inteligência. A capacidade vocal pode não ser grande, mas não se pode negar que ele vem surfando muito bem a onda digital. Enquanto gestão de carreira, sou só aplausos para ele. Praticamente a Anitta do sertanejo.

Aliás, não precisamos olhar com muita atenção para seus últimos lançamentos para entender que de sertanejo mesmo não há muito, ou melhor, que o cantor está antenado com as tendências do mercado e vem expandindo horizontes. Zé Felipe tem flertado descaradamente com outros estilos e já firmou parcerias com a galera do funk (MC Mari em “Bandido” e MC Danny em “Toma Toma, Vapo Vapo”) e com a turma do piseiro, como Marcynho Sensação (em “Revoada no Colchão”) e Os Barões da Pisadinha (em “Senta Danada”). Os títulos são bem sugestivos e, confesso, não estão na minha playlist. Acontece que eu não sou o público alvo dele.

Zé Felipe acerta em cheio dentro do que se propõe a fazer e arrebata a quem sua música se destina. Os jovens super digitais, como ele, a galera das dancinhas. Daqui a 10 ou 20 anos, é muito provável que todas essas músicas que eu citei aqui não estejam nas listas dos entendidos de música como as melhores do segmento. Zé Felipe, muito provavelmente, não está nem um pouco preocupado em deixar um legado. Aos 24 anos, quase ninguém pensa nisso.

Enquanto se discute a longevidade das carreiras construídas sobre as letras sugestivas (para não dizer outra coisa) e banhadas a números de cliques em plataformas digitais, Zé Felipe descansa na tranquilidade da Fazenda Talismã, enriquece um bom tanto a cada música sua que viraliza e deve rir (com todo respeito) da cara de quem um dia disse que ele jamais decolaria. Ele achou seu nicho de mercado e deixou de ser apenas uma promessa. Fez de poucos limões uma polpuda e doce limonada. Aceita, que dói menos.

Sobre Dyala Assef: colunista do Movimento Country, professora universitária, cantora amadora nas horas vagas e  amante de todos os tipos de boa música.