Sorocaba perde ação judicial contra ex-empresário em processo de R$ 20 milhões

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A Justiça negou um recurso apresentado pelo cantor sertanejo Sorocaba em um processo avaliado em cerca de R$ 20 milhões contra o empresário Paulo Pissoloto

Recentemente, noticiamos com exclusividade aqui no Movimento Country que o cantor sertanejo Sorocaba, dupla de Fernando Zor, foi condenado em 1ª e 2ª instância pela Justiça do Paraná a indenizar o o empresário Paulo Pissoloto por quebra de contrato. Segundo o empresário, o valor da multa é de R$ 20 milhões e agora mais um desdobramento dessa história foi revelado.

No entanto, o sertanejo entrou mais uma vez com um recurso tentando pedir a extinção do processo e apresentando sua defesa. Em uma nova conversa com o empresário, recebemos a informação de que um novo julgamento ocorreu neste mês de maio de 2022. O cantor sertanejo tentava mais uma vez se livrar do processo milionário, mas acabou perdendo o recurso.

O Tribunal de Justiça do Paraná entendeu que o cantor sertanejo fica ingressando com medidas protelatórias, ou seja, exercendo seu direito de defesa, para evitar que o processo chegue ao fim. No entanto, em cada tentativa de protelação, a Justiça tem o direito de aplicar uma multa no valor de 2% do valor total do processo devido ao “desrespeito com a parte adversa e com o próprio Judiciário”, o que está virando uma verdadeira bola de neve.

Quanto ao valor da indenização, o Ministério Público afirma que o processo de Paulo Pissoloto contra Sorocaba está avaliado em cerca de R$ 14 milhões, mas o empresário, em conversa com nossa equipe, afirma que está avaliado em R$ 20 milhões. A nova muta de 2% devido ao julgamento do recurso protelatório acrescenta cerca de R$ 350 mil no valor a ser pago pelo sertanejo.

Paralelo à isso, Paulo Pissoloto tenta receber os valores da sua multa, mas a tarefa tem sido um tanto difícil, já que Sorocaba tem seu patrimônio esvaziado para fugir dos seus credores. Recebemos informações de que o cantor sertanejo poderá ter seu passaporte e carteira de trabalho apreendidos pela Justiça até pagar a dívida oriunda da quebra de contrato.

Além disso, ele poderá ter a renda de shows e direitos autorais penhorados, inclusive com possibilidade de bloqueio de bens serem estendidos em nome de seus parentes, caso a Justiça se convença que seu patrimônio esteja escondido em nome de terceiros.

A briga na Justiça entre Sorocaba e Paulo Pissoloto vem desde 2009, quando o cantor sertanejo resolveu de forma unilateral rescindir o contrato com o empresário sem dar detalhes do que o teria motivado a fazer isso. A decisão de Sorocaba impactou negativamente na vida de Paulo, que passou por várias dificuldades financeiras.

Em uma entrevista extensa e exclusiva com Paulo Pissoloto, ele nos contou todos os detalhes e trâmites desse processo que vem se arrastando por anos, suas expectativas para o futuro e o que espera que aconteça após os devidos pagamentos feitos por Sorocaba, que perdeu o processo.

Assista:

Assessoria de Sorocaba se pronuncia

Em um pronunciamento feito à imprensa, a assessoria do cantor Sorocaba declarou que a decisão da Justiça contra Sorocaba ainda não é definitiva e que ele ainda não foi intimado da decisão:

“A decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, que julgou o último recurso do cantor Sorocaba nos processos que envolvem o ex-empresário Paulo Sérgio Pissoloto, não é definitiva e dela ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), sediado em Brasília”, começa a nota.

“Nem o cantor Sorocaba nem seus advogados foram intimados da decisão, e quando isso ocorrer, serão interpostos os recursos cabíveis, no prazo previsto em lei. O cantor Sorocaba só irá comentar as decisões judiciais após o encerramento definitivo de todos os processos que envolvem as partes”, encerra.

Saiba os detalhes do rompimento entre o cantor e o empresário

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

O Movimento Country teve uma segunda conversa exclusiva com o empresário Paulo Pissoloto, que deu os detalhes mínimos da quebra de contrato entre ele e Sorocaba:

Por várias vezes o Sorocaba falava que eu era como o pai dele, que a Ângela (esposa de Paulo) era como sua irmã, e então surgiu uma situação muito delicada do câncer de tireoide dele (…) Quando passou essa fase, a gente foi fazer um show (beneficente) para o Hospital de Câncer de Barretos, foi quando ele me causou um espanto ao falar: ‘Bem que esse show poderia ter cachê, né’, e eu falei ‘Como assim cachê? Você acabou de sair de um câncer, a gente está fazendo um show para o hospital do câncer… como você quer que tenha cachê?'”, contou o empresário.

A história ficou naquilo, e eu logo eu cheguei na minha esposa e disse: ‘Se prepara que logo esse contrato vai ser rompido por ele. Alguma coisa já me contava isso’. Ele começou a dar indícios de que alguma coisa estava acontecendo e foi indo, até que chegou no dia do meu aniversário, em  21 de junho de 2009, e ele organizou uma reunião em um hotel, chamou a família dele, chegou e falou assim: ‘Olha, é o seguinte… A partir de hoje a Ângela não trabalha mais comigo, não é minha produtora’, e eu falei ‘Como assim? A Angela é minha esposa, acreditou mais em você do que eu, o que está acontecendo?’, e aí ele disse que não queria mais, virou para o pai dele e disse: ‘Se tem um cara que nunca vai sair do meu projeto é o Paulo‘”.

Quando chegamos no nosso apartamento, eu disse para minha esposa: ‘O próximo sou eu’. E a partir daí, aconteceram algumas coisas estranhas. Passado um tempo, eu cheguei no escritório de manhã e tinha um assistente que trabalhava lá, perguntei sobre a equipe e ele disse que não tinham chegado ainda. Eu estranhei, porque naquele dia não tinha nenhum evento. Recebi o recado que eles queriam falar comigo, liguei e escutei a seguinte frase: ‘A partir de hoje, o escritório fica em São Paulo. Toda a estratégia será feita lá’. Eu disse: ‘Como assim São Paulo? Cadê meu avião? E meu carro?’. Eles me responderam que iam mandar a minha parte do dinheiro para Londrina (onde morava), e os negócios seriam gerenciados em São Paulo“, completou.

E aí eu lembro que o pai dele disse que ‘Contrato de artista era igual casamento, quando não dava certo era só separar, romper e ponto final’. Eu aceitei e pedi para me pagarem a multa contratual, e na época não optaram por isso. Sofri muito, só Deus sabe o que eu passei nesses 12 anos. Eu me recordo de uma passagem que até hoje me emociona muito, foi no nascimento da minha filha que eu não tinha dinheiro pra comprar o berço e o carrinho dela. O que eu tenho pra te falar é que (o rompimento) aconteceu por questões financeiras mesmo, por dinheiro“, desabafa.