Morre Manoel Carlos, autor que eternizou o amor e a dor em novelas clássicas, aos 92 anos

Hedmilton Rodrigues
5 min de leitura
Morre aos 92 anos, o autor de novelas Manoel Carlos (Foto: Arquivo pessoal)

Manoel Carlos morre aos 92 anos no Rio. Autor de clássicos como Por Amor e Mulheres Apaixonadas deixa legado eterno na TV.

O Brasil se despede de um dos maiores contadores de histórias da televisão. Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro, o autor e diretor Manoel Carlos, responsável por algumas das novelas mais marcantes da teledramaturgia brasileira. A morte foi confirmada pela família, que optou por um velório reservado, restrito a familiares e amigos íntimos.

Conhecido carinhosamente como Maneco, o autor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde tratava a doença de Parkinson. Nos últimos anos, o avanço da enfermidade comprometeu suas funções motoras e cognitivas, afastando-o definitivamente da televisão e da vida pública.

A notícia gerou comoção imediata entre artistas, fãs e profissionais da dramaturgia. Para muitos brasileiros, Manoel Carlos não escreveu apenas novelas, mas capítulos inteiros da própria vida de quem cresceu acompanhando suas histórias na televisão.

O autor que transformou o cotidiano em drama inesquecível

Nascido em 14 de março de 1933, em São Paulo, Manoel Carlos Gonçalves de Almeida construiu uma carreira de mais de cinco décadas, com forte ligação com a TV Globo. Ele foi autor de mais de 15 novelas e ficou conhecido por retratar, com profundidade emocional, conflitos familiares, dilemas éticos, amores impossíveis, traições e perdas.

O Rio de Janeiro, especialmente a zona sul e o bairro do Leblon, tornou-se cenário recorrente de suas histórias. Mas o verdadeiro palco de Maneco sempre foi o interior das casas brasileiras, onde suas tramas eram discutidas como se fossem parte da família.

Entre seus maiores sucessos estão “Baila Comigo”, “Por Amor”, “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas” e “Viver a Vida”. Obras que atravessaram gerações e continuam sendo referência até hoje.

As Helenas e o retrato da mulher brasileira

Morre aos 92 anos, o autor de novelas Manoel Carlos (Foto: Arquivo pessoal)
Morre aos 92 anos, o autor de novelas Manoel Carlos (Foto: Arquivo pessoal)

Uma das marcas mais conhecidas da obra de Manoel Carlos foi a criação das famosas personagens chamadas Helena. Em diferentes fases da vida, essas mulheres protagonizaram histórias de amor, sofrimento, força e contradição, tornando-se um símbolo da assinatura do autor.

As Helenas de Maneco eram humanas, imperfeitas e profundamente emocionais. Choravam, erravam, amavam demais e pagavam caro por isso. Para o público, elas funcionavam como espelhos, despertando identificação, empatia e, muitas vezes, polêmica.

Esse olhar sensível sobre as relações humanas consolidou Manoel Carlos como um autor que não tinha medo do silêncio, da dor e das escolhas difíceis.

Últimos anos e despedida discreta

Manoel Carlos estava afastado da televisão desde “Em Família”, exibida em 2014. Cerca de seis anos depois, foi diagnosticado com Parkinson, doença que evoluiu progressivamente e limitou sua autonomia.

Segundo a família, o autor faleceu de forma tranquila. Em nota divulgada por sua filha, Júlia Almeida, foi informado que o velório será fechado e restrito a pessoas próximas, com um pedido especial por privacidade neste momento de luto.

Maneco deixa a esposa, Elisabety Gonçalves de Almeida, com quem era casado desde 1981, e as filhas Júlia Almeida e Maria Carolina.

Um legado que não morre

A morte de Manoel Carlos representa o fim de uma era na teledramaturgia brasileira. Em tempos de tramas aceleradas e narrativas descartáveis, sua obra permanece como símbolo de profundidade, emoção e humanidade.

Maneco ensinou o Brasil a chorar sem pressa, a discutir dilemas morais no jantar e a entender que o amor, quase sempre, dói. Seu legado segue vivo nas reprises, nos debates, nas frases lembradas e nas emoções que nunca envelhecem.

O autor se despede, mas suas histórias seguem fazendo o que sempre fizeram: entrando na casa das pessoas e ficando.

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Hedmilton Rodrigues é empreendedor digital, jornalista e criador do Movimento Country. Pioneiro na internet brasileira no segmento sertanejo, é referência em notícias sobre celebridades, rodeios e o universo agro, conectando fãs e artistas com credibilidade e agilidade.