Enterrado vivo? A morte misteriosa que interrompeu o sucesso de Alan & Aladim

Hedmilton Rodrigues
4 min de leitura
História de Aladim, da dupla Alan e Aladim, ainda assusta moradores de Mogi das Cruzes (Foto: Arquivo)

Morte precoce de Aladim, da dupla Alan & Aladim, gerou lenda macabra e interrompeu ascensão no sertanejo dos anos 80.

Alan & Aladim surgiram em um momento decisivo da música sertaneja, quando o gênero deixava o campo e ganhava os palcos urbanos do Brasil. A dupla acompanhou a modernização do estilo, misturando romantismo, arranjos modernos e forte apelo popular, tornando-se uma das grandes promessas do final dos anos 1980.

O auge veio em 1987, com o lançamento do álbum homônimo que trazia o hit Liguei pra dizer que te amo. A música dominou rádios, bailões e programas de TV, vendendo quase dois milhões de cópias e colocando a dupla ao lado de gigantes como Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano.

Mas o sucesso foi brutalmente interrompido em 1992. A morte de José Nascimento Cardoso, o Aladim, aos 35 anos, não apenas encerrou uma trajetória promissora como também deu origem a uma das histórias mais sombrias da música sertaneja: o boato de que o cantor teria sido enterrado vivo.

A ascensão de Alan & Aladim na nova música sertaneja

Antes da fama, Aladim atuava como músico de apoio de grandes nomes do sertanejo raiz. O encontro com Alan aconteceu em um festival nos anos 1970, dando início a uma parceria que apostava na transição do estilo tradicional para uma sonoridade mais moderna.

Essa mudança refletia uma tendência da época. O sertanejo romântico começava a dominar o mercado, incorporando guitarras, teclados e uma estética mais urbana. Alan & Aladim souberam ocupar esse espaço e rapidamente conquistaram o público com letras emotivas e forte identidade vocal.

A morte precoce de Aladim e o início da lenda

Cantor sertanejo Aladim teria sido enterrado vivo (Foto: Arte Movimento Country)
Cantor sertanejo Aladim teria sido enterrado vivo (Foto: Arte Movimento Country)

Durante uma turnê em 1992, Aladim começou a sentir dificuldades para mastigar e engolir. Após retornar a Mogi das Cruzes (SP), foi internado e submetido a uma cirurgia de amígdalas. Segundo registros médicos, uma reação alérgica grave a medicamentos provocou choque anafilático e parada cardíaca.

Apesar do diagnóstico oficial, a rapidez do sepultamento, a ausência de autópsia e relatos posteriores alimentaram dúvidas. Anos depois, Alan revelou que fãs afirmaram que o corpo estaria em uma posição diferente no caixão, levantando suspeitas e fortalecendo a lenda de que o cantor poderia ter sofrido um episódio de catalepsia.

Silêncio, suspeitas e versões mal explicadas

O próprio Alan declarou em entrevistas que sempre achou a história “mal contada”. Segundo ele, houve interferência de pessoas próximas, movimentações financeiras estranhas e alertas feitos por profissionais de saúde após a morte do cantor.

Sem investigações aprofundadas e com poucas informações divulgadas na época, o caso se transformou em folclore popular, especialmente em Mogi das Cruzes. A falta de respostas definitivas manteve viva a narrativa de mistério que até hoje cerca a morte de Aladim.

Legado interrompido e memória eterna

Mesmo com novas formações ao longo dos anos, Alan & Aladim jamais repetiram o impacto da formação original. Para muitos fãs e especialistas, a dupla poderia ter se consolidado como um dos maiores nomes do sertanejo dos anos 1990.

A tragédia acabou se tornando maior que a obra. Ainda assim, músicas como Liguei pra dizer que te amo seguem sendo regravadas e lembradas, mantendo viva a memória de uma carreira brilhante, interrompida cedo demais e envolta em mistério.

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Hedmilton Rodrigues é empreendedor digital, jornalista e criador do Movimento Country. Pioneiro na internet brasileira no segmento sertanejo, é referência em notícias sobre celebridades, rodeios e o universo agro, conectando fãs e artistas com credibilidade e agilidade.