Country latino e outras transformações internacionais

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A música country ganhou em diversidade nos últimos anos e os artistas brasileiros estão sabendo explorar isso

Assim como o amor, a música é conhecida como a língua universal. Belas melodias e expressões de emoções podem ser manifestas das mais diversas formas e, ainda assim, tocar pessoas das mais diversas culturas da mesma maneira. Um som country escrito com o coração e autenticidade consegue realizar essa uma façanha, que nem mesmo os mais eloquentes discursos conseguem superar.

Por outro lado, a velocidade da comunicação digital permite que não apenas as canções cheguem em novos ouvintes e os inspirem. Os próprios músicos têm combinado ritmos e se aventurando em novos idiomas para fazer circular suas mensagens com um toque diferente – inclusive os sertanejos.

Sertanejo com um toque “caliente”

Em 2011, Michel Teló e Gusttavo Lima transformaram suas melodias acompanhadas de sanfona em sucessos entre dezenas de países que sequer entendiam o idioma português. No Brasil, há duas transformações recentes que são mais expressivas da música sertaneja.

A bachata sendo incorporada no som dos pés vermelhos é uma dessas transformações. A bachata é um ritmo da República Dominicana, caracterizado pela batida em quatro tempos com bongô e o rasqueado de guitarra acompanhando.

Se a descrição soa genérica demais, pense em “Infiel”, de Marília Mendonça. Ou em “Largado às traças”, de Zé Neto e Cristiano. Ou “O Que É, O Que É?”, de Simone & Simaria. Em suma, a levada cadenciada dominicana já embalou alguns dos maiores sucessos do nosso sertanejo.

Há também os artistas que fazem parcerias naquele idioma. Parcerias não são novidade, é claro: Zezé Di Camargo & Luciano já cantavam com Julio Iglesias ainda em 1998. Mas a quantidade dessas colaborações tem aumentado e os artistas vêm atuando com cada vez maior desenvoltura.

Um exemplo disso é o próprio pioneiro da bachata sertaneja, Gusttavo Lima, que cantou recentemente no álbum da cantora porto-riquenha Kany García, na canção “Que Pasen los Dias”. A surpresa é que Lima parece ter decidido fazer um curso de espanhol, pois canta com desenvoltura.

Outros artistas também poderiam se beneficiar de aplicativos de idiomas, como o Babbel, que possui um curso de idiomas em espanhol para aqueles que desejam se aventurar num ritmo mais caliente. O cantor Eduardo Costa, que mistura português e espanhol em “Enamorado”. Com o aplicativo, é possível acompanhar o progresso e revisar conteúdos de forma personalizada e com custos reduzidos, sempre à mão no celular. Conteúdos de texto e som são organizados de maneira temática e divertida facilitam a vida de iniciantes.

Sertanejo eletrônico

A outra variedade que renova o sertanejo e o leva a outras terras é a combinação dele com o eletrônico. A ressalva com esse tipo de som é que geralmente ele é criado por iniciativa de um artista do circuito de música eletrônica, na forma de remix, do que por associação do sertanejo.

A instrumentação passa a um arranjo de timbres sintéticos e o que se preserva costumam ser as letras dos sertanejos, muito mais românticas do que costuma ser a temática habitual de raps – que também fazem uso da base eletrônica. Talvez o exemplo mais bem-acabado desse tipo de som seja a versão de DONN, com remix de Quentin & Twin, para “Te Assumi Pro Brasil”.

A versão original de Matheus & Kauan já trazia toques bem modernos do já conhecido “sertanejo universitário”: guitarras rítmicas, bateria, teclados e algumas percussões já aproximavam a faixa de algo do indie rock dos anos 2000. A música sequer conta com sanfona ao vivo.

O remix desconstrói ainda mais esse sertanejo levemente sintetizado, mudando a levada original, e reduzindo as tradicionais duas vozes a apenas uma, mais intimista. Traços dessa fusão podem ser sentidos mesmo nas misturebas de Dennis DJ, como “Sou Teu Fã” ou na já infame “Vamos Beber” – um “funknejo” que conta até com um Ronaldinho Gaúcho pré-cárcere. É uma fusão a se aperfeiçoar, mas o caminho já está sendo trilhado.

Country e rap

A fusão do rap com influências de country é uma das coisas mais improváveis de se imaginar, e que mostrou resultados surpreendentes, como Lil Nas X qu recentemente bateu o recorde de Despacito e ficou 17 semanas consecutivas no topo da parada da Billboard . É difícil imaginar ritmos culturalmente mais vinculados a negros e brancos, respectivamente, do que esses dois.

No entanto, “Old Town Road” abriu uma brecha nesse “tabu” no começo de 2019. Essa música do artista Lil Nas X fez um enorme sucesso na rede social TikTok – enorme a ponto de receber disco de diamante no final do mesmo ano. A música trazia nada menos do que a participação de Billy Ray Cyrus, um ícone do country, e que colaborou também com Chitãozinho & Xororó nos idos dos anos 1990.

Assim como a fusão de sertanejo e bachata, a combinação de country e rap (ou trap) salta por cima de barreiras culturais. Num mundo cada vez mais globalizado, o intercâmbio de informações, sensações e experiências é surpreendente. Tão surpreendente que muitas vezes nem acaba soando como uma grave tomada de posição, mas sim como uma gostosa brincadeira entre velhos conhecidos.

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