Castelo de José Rico esconde ruínas, dívidas e um futuro milionário; veja como está
Onze anos após a morte de José Rico, castelo inacabado em Limeira segue abandonado; prefeitura declarou área de utilidade pública para possível museu.

Imóvel de mais de 100 cômodos em Limeira segue sem uso, com invasões e deterioração, mas entrou no radar da prefeitura para possível museu.
Onze anos após a morte de José Rico, o castelo idealizado pelo cantor sertanejo em Limeira, no interior de São Paulo, continua inacabado, vazio e marcado pelo abandono. A construção monumental, com mais de 100 cômodos e 12 torres, virou símbolo de um sonho que o artista da dupla Milionário & José Rico não conseguiu concluir em vida.
José Rico morreu em 3 de março de 2015, aos 68 anos, após problemas cardíacos. Desde então, o imóvel passou por disputas de herança, dificuldades financeiras, ações trabalhistas, tentativas frustradas de leilão e invasões. O resultado é um cenário muito distante da ideia original do cantor, que queria transformar o espaço em um refúgio familiar e em um centro ligado à música.
Imagens exibidas pelo Fantástico, em março de 2025, mostraram o interior da construção tomado por sinais de deterioração. Janelas, móveis, pias, caixas de som, discos e objetos pessoais ficaram expostos à ação do tempo e de invasores. Parte do que restou da família foi retirada ou danificada ao longo dos anos.
O castelo ocupa uma propriedade de aproximadamente 48 mil metros quadrados. A área onde fica a construção tem cerca de 10 mil metros quadrados e, segundo avaliações citadas em reportagens recentes, o imóvel pode valer aproximadamente R$ 15 milhões. Apesar da imponência, José Rico nunca viu a obra pronta.
Sonho de infância virou construção sem fim
A obra durou cerca de 24 anos e era acompanhada de perto pelo próprio cantor, conhecido pelos amigos como Zum. Vizinhos e pessoas que trabalharam no local relatam que José Rico tinha participação constante nas decisões da construção e costumava imaginar novos projetos para o espaço, como estúdio, gravadora, hotel temático e loja de produtos da dupla.
O filho do artista, Sâmi Rico, contou ao Fantástico que o pai teria ouvido de uma cigana que morreria quando terminasse o castelo. A história, relatada pela família, teria alimentado a decisão de manter sempre alguma parte da obra em andamento. Não há como comprovar a premonição, mas ela se tornou parte da memória popular em torno da propriedade.
Na parte mais alta do castelo, havia um projeto de homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Segundo Sâmi, o plano incluía uma imagem da santa e duas poltronas douradas, destinadas a José Rico e à então esposa, Berenice Martins. O local, porém, nunca foi finalizado como o cantor imaginava.
O abandono também foi agravado pela situação judicial envolvendo o espólio. A propriedade foi alvo de penhoras e tentativas de leilão para pagamento de dívidas trabalhistas. Nenhuma das tentativas anteriores atraiu interessados, o que prolongou a incerteza sobre o futuro do castelo.
Castelo pode virar museu da música sertaneja
Em maio de 2026, a Prefeitura de Limeira declarou a área de utilidade pública para fins de eventual desapropriação. A medida não significa que o imóvel já pertence ao município nem confirma a criação imediata de um museu, mas abre caminho para estudos técnicos, jurídicos e econômicos sobre um novo destino para a propriedade.
A ideia discutida pela administração municipal é transformar o espaço em um polo cultural e turístico ligado à memória de José Rico, à trajetória da dupla com Milionário e à música sertaneja. A prefeitura informou que pretende buscar recursos estaduais, federais e privados, sem previsão de usar verba municipal no empreendimento.
O advogado da família de José Rico afirmou que os herdeiros veem com bons olhos uma solução pública para o imóvel, justamente pela dificuldade de custear manutenção e proteger o local contra invasões. Sâmi Rico, no entanto, não comentou o tema quando procurado recentemente pela imprensa.
Se o projeto avançar, o castelo poderá deixar de ser uma obra abandonada para se tornar um espaço de preservação cultural. Até lá, a realidade é outra: a estrutura segue sem uso, exposta ao tempo e dependente de decisões que ainda precisam passar por avaliações e negociações.
O destino do castelo ainda é incerto, mas sua história continua despertando curiosidade. Mais do que uma mansão extravagante, a construção representa o sonho grandioso de um dos nomes mais marcantes do sertanejo brasileiro, autor de clássicos como Estrada da Vida e Vontade Dividida.
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