Globo vira alvo de processo após documentário sobre rodeios: entenda
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Globo é processada após exibição do documentário “Vida de Rodeio”. ONGs alegam omissão e apologia à violência contra bois.
A TV Globo se tornou alvo de um processo judicial após a exibição da série documental Vida de Rodeio. A ação foi movida por duas ONGs de proteção animal, que acusam a produção de omitir maus-tratos e fazer apologia à violência contra animais utilizados em rodeios e vaquejadas.
A informação foi revelada pelo portal F5 e confirmada pelo Metrópoles. O caso reacendeu um debate antigo e sensível no Brasil, envolvendo tradição cultural, entretenimento e direitos dos animais.
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Segundo as entidades, a abordagem adotada pela série teria apresentado apenas um lado da história, sem questionamentos ou contrapontos.
ONGs afirmam que documentário omitiu violência
O processo foi ajuizado pela ONG Canto da Terra e pelo Instituto Thaís Viotto. As organizações sustentam que o documentário, produzido pela própria emissora, deixou de mostrar as violências sofridas por bois em diversos eventos do gênero.
De acordo com representantes das entidades, há registros, laudos veterinários e decisões judiciais que comprovam maus-tratos em competições semelhantes às exibidas na série.
Especialistas falam em banalização da violência

Thaís Viotto, fundadora do instituto que leva seu nome, afirmou que a produção escancara uma visão romantizada dos rodeios, ignorando condenações judiciais já existentes contra organizadores desses eventos.
Já a médica veterinária Maria Eugenia Carretero, da ONG Canto da Terra, destacou que a ausência de dados científicos e de informações técnicas compromete o direito da sociedade à informação adequada.
“Vida de Rodeio” teria faltado com contraponto
Segundo as ONGs, o principal problema da série Vida de Rodeio foi a ausência de equilíbrio. Para elas, produções desse tipo deveriam dedicar o mesmo espaço para a visão da proteção animal.
As entidades afirmam ainda que conteúdos assim, quando exibidos sem questionamento, contribuem para a banalização da violência, especialmente ao atingir crianças e adolescentes.
O que diz o processo contra a Globo
Na ação, as ONGs alegam que tentaram dialogar antes de recorrer à Justiça. Segundo elas, um telegrama solicitando mudanças na condução do documentário foi enviado à emissora, mas não houve resposta.
Como parte das provas, as instituições anexaram imagens registradas por suas equipes em eventos semelhantes aos mostrados na série, buscando sustentar as acusações de maus-tratos.
Trâmite judicial e posicionamento da emissora
O processo tramita na 20ª Vara Cível de São Paulo e está sob responsabilidade da juíza Elaine Faria Evaristo. A ação sustenta que a exibição da série representou um retrocesso na luta pela dignidade dos animais.
A Globo foi oficialmente notificada na quinta-feira (22) e tem prazo de dez dias para apresentar sua defesa. Procurada, a emissora não se manifestou até a publicação desta matéria.
Debate deve ganhar novos capítulos
O caso promete causar climão e reacender discussões sobre os limites entre tradição cultural, entretenimento televisivo e responsabilidade social.
Enquanto isso, o embate judicial segue e pode abrir precedente para novas discussões envolvendo produções audiovisuais e direitos dos animais no Brasil.