Após críticas ao cachê de R$ 228 mil de Munhoz e Mariano, prefeitura divulgou valores pagos por outras cidades a artistas nacionais.
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Seguir no GoogleEnquanto a dupla Munhoz e Mariano se prepara para cantar no Festival de Inverno de Campo Alegre, em Santa Catarina, o nome dos sertanejos acabou entrando em uma discussão daquelas que misturam palco, política, internet e dinheiro público.
Munhoz e Mariano viraram assunto depois que a prefeitura de Campo Alegre precisou explicar a contratação da dupla por R$ 228 mil. O valor foi criticado nas redes sociais e reacendeu a velha pergunta que sempre volta quando há festa pública: quanto vale um show pago com dinheiro da prefeitura? A discussão também conversa com o debate sobre os maiores cachês sertanejos de 2026.
Para se defender, a gestão municipal divulgou um ranking com valores pagos por outras cidades catarinenses em shows nacionais recentes. Na prática, a prefeitura tentou mostrar que o cachê contratado estaria dentro do mercado, em uma comparação com outros eventos sertanejos pelo Brasil.
A contratação foi feita por inexigibilidade de licitação, instrumento previsto na Lei Federal nº 14.133/2021. Segundo a prefeitura, esse tipo de contratação pode ser usado quando há inviabilidade de competição, como em apresentações de artistas consagrados pela crítica ou pela opinião pública.
O município também afirmou que a escolha passou por análise criteriosa e destacou que Munhoz e Mariano nunca haviam se apresentado em Campo Alegre. A justificativa foi a de oferecer uma atração nacional inédita ao público local dentro da programação do Festival de Inverno.
Ranking de cachês virou munição na polêmica

O detalhe que aumentou a repercussão foi a lista divulgada pela própria prefeitura. Entre os valores citados aparecem shows como Pixote em Araranguá por R$ 255 mil, Rick & Renner em Pinheiro Preto por R$ 290 mil, Simone Mendes em Três Barras por R$ 880 mil, João Bosco & Vinícius em Irani por R$ 345 mil e João Neto & Frederico em Botuverá por R$ 340 mil.
A administração também informou que consultou atrações semelhantes antes de fechar o contrato. Segundo a prefeitura, Ralf teria sido orçado em R$ 250 mil, Teodoro & Sampaio em R$ 270 mil e Gian & Giovani em R$ 280 mil.
Para completar a defesa, Campo Alegre citou outros cachês recentes de Munhoz e Mariano: R$ 270 mil em Bombinhas, R$ 245 mil em Colniza e R$ 280 mil em Guaratuba. A lógica da gestão foi simples: se outras cidades pagaram valores parecidos ou maiores, os R$ 228 mil não seriam fora da curva.
O problema é que, quando prefeitura tenta apagar incêndio com ranking de cachês, sempre aparece mais gasolina. A comparação pode até explicar o valor de mercado, mas também escancara quanto os municípios vêm gastando com atrações nacionais em festas públicas.
Nas redes sociais, a discussão costuma ser imediata. De um lado, há quem defenda que shows movimentam turismo, comércio, hotéis, alimentação e visibilidade para cidades pequenas. Do outro, há quem questione se valores altos deveriam ser prioridade diante de demandas locais em saúde, educação, infraestrutura e serviços públicos.
No caso de Campo Alegre, a cidade tem cerca de 12,5 mil habitantes. Esse dado ajudou a inflar a polêmica, já que muita gente comparou o tamanho do município com o valor destinado à apresentação.
A dupla ficou conhecida nacionalmente por hits como “Camaro Amarelo” e “Seu Bombeiro”, músicas que marcaram o auge do sertanejo universitário. Ainda assim, a discussão atual não gira apenas em torno da popularidade dos artistas, mas do custo da contratação e da transparência dos gastos.
O episódio reforça uma tendência cada vez mais comum: todo cachê de artista contratado por prefeitura vira potencial debate público. E, quando o valor passa dos seis dígitos, o julgamento nas redes chega antes mesmo do primeiro acorde.
Para quem acompanha o mercado, a polêmica também ajuda a entender por que os valores de contratação se tornaram uma pauta recorrente no universo sertanejo, especialmente em festas municipais e grandes calendários regionais ligados à agenda nacional de shows.
Munhoz e Mariano seguem no centro da discussão porque o cachê de R$ 228 mil virou o estopim de um debate maior sobre prefeituras, eventos e dinheiro público, como também foi detalhado em publicação oficial do Festival de Inverno.
