Entrevista Exclusiva com Ananias Pereira, campeão de Barretos 2002

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Por Eugênio José dos Santos
E-mail: eugenio@movimentocountry.com
Blog: http://cowboy.zip.net

Ananias Pereira, 27 anos, casado com Simone Muzeti, pai do pequenino Cauã, de apenas um ano e 10 meses, e de Edielen, de nove anos, filha de outro relacionamento. Natural de Pompéia, interior de São Paulo, também integra o time de patrocinados da Freedom www.freedomcountry.com.br. Campeão de Barretos em 2002, Ananias, dono de 7 carros 22 motos, tri-campeão da Festa dos Campeões de Barretos, ano passado foi para os EUA montar na PBR. Uma fera do rodeio que tive o prazer de bater um papo em Marília, na confraternização da Freedom Country no final do ano. Confira mais esta entrevista exclusiva:

 

 

Eugênio José dos Santos (EJS): Ananias, você é uma pessoa muito querida no rodeio. Peões, tropeiros, juízes, locutores, enfim, todo mundo fala bem do Ananias. Você pode explicar de onde vem tanto carisma?

Ananias Pereira (AP): Dinheiro não é tudo na vida de um homem. Sempre procuro deixar para as pessoas uma amizade sincera. Não tenho inimizades. Sempre quando chego ao rodeio, logo vem todo mundo sentar na caçamba da minha camionete para conversarmos. Isso é muito gratificante. Sou um dos poucos peões que tem liberdade de entrar no escritório em Barretos e não sou barrado. Graças a Deus, sou bem conhecido.

EJS: Em 2002, creio que foi seu melhor ano. Você ganhou Barretos e vários outros rodeios. Como você administrou esse sucesso e, claro, como investiu o dinheiro ganho? 

AP: Tranqüilidade, pensar bastante… claro, perdi um pouco de dinheiro. Hoje, estou mais experiente, investi bem, eu acredito. Tenho um sítio bom, e estou estabilizado. Quem passou dificuldade fica com medo de sofrer novamente. É difícil para quem tem a cabeça fraca mas, graças a Deus, tenho a cabeça boa, no lugar, o que me ajuda muito.

EJS: Fale um pouco de sua infância.

AP: Olha, trabalhei muito. Nunca tive carrinho, televisão. Perdi meu pai, optei por ser peão e não me arrependo, tive oportunidade de estudar para ir para os EUA. Hoje, não tenho muito estudo, mas tenho passaporte para ir para lá. Acho que fiz a escolha certa.

EJS: Por falar em EUA, fale de sua experiência por lá. Qual é a principal dificuldade?

AP: Fiquei nove meses lá, a experiência foi muito boa, mas a grande dificuldade é a falta da família. Comida, o inglês, a gente vai se adaptando, mas a falta da nossa família perto da gente complica. Mesmo assim, consegui montar bem nas divisões de acesso da PBR e já estava como “altenative” (reserva) da primeira divisão, porém, me machuquei e tive que retornar ao Brasil. Por pouco tempo. Pretendo voltar para lá esse ano novamente, agora com a família.

EJS: Como é o tratamento dos americanos com os peões lá nos EUA?

AP: Eu nunca vi tanto respeito um com o outro. Somos tratados como artistas. Ao final de cada rodeio, somos “obrigados” a passar pela arena para dar autógrafos, senão somos multados.

EJS: E aqui no Brasil, o que falta para o público ter esse carinho com os peões?

AP: Eu queria que o Brasil pudesse dar valor aos veteranos como eles fazem lá. Se você perguntar para a rapaziada que acompanha o rodeio, ninguém sabe quem foi Vilmar Felipe, Milton Célio Rosa, Sabará. Agora, nos EUA, tem DVD, revistas falando dos peões, juízes e touros veteranos.

EJS: Você acha que falta união dos peões?

AP: O que eu vejo é que as pessoas ainda tem um preconceito muito grande com peões. Ainda somos vistos como arruaceiros, mas isso é coisa de 40 anos atrás. Hoje somos atletas, as pessoas ainda não enxergam isso.

EJS: Você sempre teve o apoio da sua família?

AP: Não, nunca tive apoio. Para você ter uma idéia, o primeiro rodeio que minha mãe me viu montar foi em Sertaneja, em dezembro, uma semana antes do Natal. Fui abençoado por ter ela lá me vendo.

EJS: Tem alguma montaria que você considera inesquecível?

AP: Tem, sim. Foi quando ganhei um carro em Palestina. Fazia treze anos que meu pai tinha falecido eu me emocionei muito. Foi mais emocionante que o título de Barretos.
 
EJS: Você tem o patrocínio da Freedom. É importante esse apoio para o peão?

Sim, muito. A Freedom faz parte da minha carreira. Eles me patrocinam desde que eu comecei, me acompanham desde o princípio. O Jorge e o Álvaro são meus amigos.

EJS: E esse grupo de peões de Pompéia. Você é responsável por isso?

AP: Eu vi esses meninos: Bruno, Barney, Mococa e Tozinho crescerem. Quando o Bruno ganhou Barretos, a emoção foi a mesma de quando eu ganhei.

EJS: Para finalizar, deixe uma mensagem aos seus fãs, principalmente aqueles que estão iniciando a carreira como peão.

AP: Muita fé em Deus, e nunca se envolvam com drogas, pois é um caminho sem volta.

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